Artigos | Postado no dia: 8 junho, 2026

2026 é ano de teste — mas o relógio da Reforma já está correndo

A fase de testes da Reforma Tributária não cobra imposto novo em 2026 — mas é nela que sua empresa decide se 2027 será tranquilo ou caótico.

Existe uma ideia perigosa circulando entre empresários: a de que 2026 é apenas um “ano de teste” da Reforma Tributária e que, por isso, não há nada com que se preocupar agora. A primeira parte é verdadeira; a segunda é um erro que pode custar caro.

De fato, 2026 é a fase de implementação assistida do novo sistema. Mas é justamente neste período — sem cobrança real e em ambiente controlado — que as empresas conseguem se preparar para a virada definitiva, que começa em 2027. Entender o que está em jogo agora é o que separa quem vai atravessar a transição com segurança de quem vai descobri-la na pior hora: no caixa.

O que realmente acontece em 2026

Desde 1º de janeiro de 2026, a Reforma já produz efeitos visíveis. As notas fiscais passaram a destacar dois novos tributos — o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) — separadamente do preço, no chamado destaque “por fora”.

Nesta fase, porém, a cobrança é apenas simbólica: as alíquotas são reduzidas e, na prática, não há recolhimento efetivo desses tributos ao longo de 2026. O objetivo é permitir que empresas, sistemas de pagamento e o próprio Fisco ajustem suas estruturas antes que o dinheiro comece a mudar de mãos. É um ensaio geral, não a estreia.

Por que 2027 muda tudo

A virada real começa em 2027. A CBS entra em vigor de forma plena e substitui o PIS e a Cofins, que são extintos. O Imposto Seletivo — incidente sobre produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente — começa a ser cobrado. E, talvez o ponto de maior impacto no fluxo de caixa, o split payment passa a operar de verdade: o tributo é retido automaticamente no momento do pagamento, antes mesmo de o valor chegar à conta da empresa.

A partir daí, e ao longo da transição que se estende até 2033, o IBS sobe gradualmente enquanto ICMS e ISS desaparecem na mesma proporção. Quem chega a 2027 sem ter simulado o caixa, recalculado preços e mapeado créditos descobre o tamanho da mudança sem tempo para reagir.

O que fazer ainda em 2026

A fase de testes é, na verdade, uma janela de preparação que não vai se repetir. Alguns movimentos são prioritários: simular o fluxo de caixa sob o regime do split payment; revisar a formação de preços considerando a nova lógica de créditos; mapear todos os créditos de IBS e CBS a que a empresa terá direito; e ajustar sistemas e equipe aos novos campos da nota fiscal.

Esse trabalho não é só do contador. Envolve decisões de gestão — preços, contratos com fornecedores, capital de giro — que precisam de tempo para serem implementadas. Tratar 2026 como um projeto estruturado, e não como um detalhe técnico, é o que garante uma transição sob controle.

 

2026 não é o ano de pagar a Reforma; é o ano de se preparar para ela. A empresa que usa esse período para ensaiar entra em 2027 no comando da própria operação. A que ignora o relógio improvisa quando o custo do improviso é mais alto. Diante de uma mudança dessa magnitude, contar com assessoria tributária especializada para mapear impactos e construir um plano de transição é uma decisão estratégica — e, hoje, uma vantagem competitiva.