Artigos | Postado no dia: 22 junho, 2026

Formação de preço: por que seu mark-up está errado para 2027

A Reforma Tributária muda a forma como o imposto entra no preço. Manter o mark-up de hoje pode comprometer sua margem em 2027.

A maioria das empresas calcula seus preços com base em uma fórmula de mark-up construída sob as regras tributárias atuais. O problema é que essas regras estão prestes a mudar — e, com elas, a própria lógica de como o imposto compõe o preço.

Quem simplesmente repetir o cálculo de hoje a partir de 2027 corre o risco de tomar uma de duas decisões ruins: comprimir a margem sem perceber ou repassar imposto a mais e perder competitividade. Recalcular a formação de preço é, talvez, o ajuste mais silencioso e mais decisivo da Reforma.

Do cálculo “por dentro” ao cálculo “por fora”

No sistema atual, parte dos tributos é calculada “por dentro” e fica embutida no custo, “contaminando” as etapas seguintes da cadeia. Com o IBS e a CBS, passa a valer a não cumulatividade plena: o tributo pago na compra vira crédito amplo, abatido do que será devido na venda.

O cálculo migra para a lógica “por fora”, mais limpa e rastreável. Isso significa que o custo tributário efetivo de um produto pode ser bem diferente do que é hoje — para mais ou para menos, dependendo da estrutura de compras e da cadeia em que a empresa está inserida.

Por que o crédito muda o jogo (e a escolha do fornecedor também)

Na nova lógica, o crédito tende a ser “financeiro”, vinculado ao efetivo recolhimento do tributo ao longo da cadeia. Isso transforma a escolha do fornecedor em uma decisão de preço: comprar de um fornecedor regular, que gera crédito cheio, passa a valer dinheiro de verdade.

Fornecedores informais, documentos mal emitidos ou enquadramentos equivocados resultam em crédito perdido — e crédito perdido é margem que evapora. A formação de preço, portanto, deixa de ser um cálculo isolado e passa a depender de toda a estrutura de aquisições.

Como se preparar ainda em 2026

O caminho não é esperar 2027 para descobrir o impacto. É simular, ainda em 2026, como ficam custo, crédito e margem de cada produto ou serviço sob o novo regime, e ajustar a política de preços com tempo.

Esse exercício permite identificar quais itens ganham e quais perdem competitividade, renegociar com fornecedores e revisar contratos antes da virada. Preço é onde a Reforma mais discretamente faz uma empresa ganhar ou perder — e é melhor descobrir isso numa planilha do que no balanço.

Conclusão

Recalcular o mark-up não é tarefa para a véspera, nem detalhe de planilha: é decisão estratégica que afeta margem, competitividade e caixa. Antecipar essa conta dá à empresa o tempo necessário para ajustar preços e relações comerciais sem sobressaltos. Uma análise conduzida com apoio de assessoria tributária ajuda a transformar a Reforma de ameaça em oportunidade de revisar, com método, a própria política de preços.