Artigos | Postado no dia: 28 setembro, 2026
E-commerce e marketplaces: split payment e a nova responsabilidade
Quem vende pela internet sentirá o split payment de perto — e os marketplaces ganham novas responsabilidades. Entenda o que muda.
O comércio eletrônico está entre os setores que mais sentirão a Reforma Tributária, e por um motivo simples: a maior parte das vendas on-line é paga por Pix, cartão ou boleto — exatamente os meios sobre os quais incidirá o split payment. Some-se a isso uma nova divisão de responsabilidades envolvendo as plataformas, e o cenário exige atenção redobrada.
Para lojistas digitais e para quem opera em marketplaces, entender essas mudanças é parte essencial da preparação para 2027.
O split payment chega primeiro ao digital
Como o e-commerce trabalha quase integralmente com pagamentos eletrônicos, ele será dos primeiros a sentir o split payment na prática. A partir de 2027, o IBS e a CBS passam a ser retidos no momento da liquidação do pagamento, antes de o valor chegar ao vendedor.
Para quem opera com alto volume e margens apertadas — característica comum no comércio on-line —, o efeito sobre o caixa é imediato. O que antes entrava como receita bruta passa a chegar já líquido do tributo, exigindo revisão do capital de giro.
A nova responsabilidade das plataformas
A legislação atribui aos marketplaces e às plataformas de intermediação deveres relevantes na operação dos novos tributos. Em determinadas situações, elas podem ser responsabilizadas por aspectos da retenção e do recolhimento, sobretudo em relação a vendedores que operam por meio delas.
Isso muda a relação entre o lojista e a plataforma. É preciso clareza sobre quem recolhe o quê, para que não haja recolhimento em duplicidade nem omissão. A definição de responsabilidades passa a ser um ponto central dos contratos e da operação.
Como o e-commerce deve se preparar
A preparação passa por entender, em detalhe, o próprio fluxo de pagamentos e como o split payment incidirá sobre ele. Também é fundamental dialogar com as plataformas sobre a forma como a retenção será operacionalizada e revisar preço e capital de giro à luz dessas mudanças.
Quem vende on-line precisa tratar a Reforma como parte da estratégia digital — e não como assunto restrito à contabilidade. No e-commerce, em que a velocidade é tudo, isso inclui a velocidade de se preparar para o novo regime.
Conclusão
A Reforma redesenha a mecânica financeira e as responsabilidades do comércio eletrônico. Compreender o impacto do split payment e a nova divisão de papéis com os marketplaces é o que permite ao lojista digital atravessar 2027 sem surpresas no caixa. Contar com assessoria tributária especializada ajuda a mapear essas mudanças e a ajustar a operação e os contratos com as plataformas.