Artigos | Postado no dia: 21 setembro, 2026
Prestadores de serviço: por que vocês podem pagar mais com a Reforma
Setores de serviços, que hoje pagam pouco ISS, podem ver a carga subir com a Reforma. Entenda por quê e como reduzir o impacto.
Há um ponto da Reforma Tributária que preocupa especialmente o setor de serviços — e que muitos prestadores ainda não calcularam. Quem hoje recolhe ISS com alíquotas baixas pode, na nova lógica, ver a carga tributária aumentar. Não é uma regra automática para todos, mas é um risco concreto que precisa ser avaliado caso a caso.
Entender por que isso acontece é o primeiro passo para mitigar o impacto antes de 2027.
Por que a carga pode subir
Hoje, muitos prestadores de serviço recolhem ISS com alíquotas que costumam variar entre 2% e 5%, e aproveitam pouco crédito. Com o IBS e a CBS, passa a valer uma alíquota padrão de IVA bem mais alta, em tese compensada pelo crédito amplo das compras.
O problema é a natureza do setor de serviços: o seu principal custo costuma ser a mão de obra, e a folha de pagamento, em regra, não gera crédito. Resultado: empresas intensivas em pessoas têm poucos insumos para creditar e podem, portanto, sentir a carga subir.
Quem é mais afetado
Os negócios mais expostos são aqueles em que o trabalho humano é o coração da operação: consultorias, clínicas, agências, escritórios e prestadores de serviços técnicos em geral. Quanto maior o peso da folha e menor o volume de insumos creditáveis, maior tende a ser o impacto.
Isso não significa uma sentença de aumento para todo o setor — há variações conforme o modelo de cada negócio. Mas significa que esses prestadores não podem presumir que a Reforma será neutra para eles.
Como reduzir o impacto
O caminho é antecipar a conta. Isso envolve simular a carga sob o novo regime, mapear todo crédito possível — tecnologia, aluguéis, serviços contratados de terceiros — e revisar preço e modelo de operação à luz desse cálculo.
Quanto antes o prestador entender o próprio número, mais tempo terá para ajustar contratos, repactuar com clientes e estruturar a operação de forma mais eficiente. O pior cenário, para o setor de serviços, é descobrir a nova carga apenas na primeira apuração de 2027.
Conclusão
Para o setor de serviços, a preparação não é opcional: é o que define se a Reforma será um ajuste administrável ou um susto. Simular a carga, mapear créditos e revisar preços com antecedência é o que permite reagir com estratégia, e não sob pressão. Uma análise conduzida com assessoria tributária especializada ajuda o prestador a entender exatamente como a Reforma o atinge e a encontrar os caminhos legítimos para reduzir o impacto.